A Magia de Educar: Aprender é Ensinar, Ensinar é Aprender

” O grande problema do educador não é discutir se a educação pode ou não pode, mas é discutir onde pode, como pode, com quem pode, quando pode, é reconhecer os limites que sua prática impõe e perceber que o seu trabalho não é individual, é social e se dá na prática de que ele faz parte.”  

Aprender é uma de nossas capacidades humanas, que faz com que sentidos e significados sejam despertos para um viver ético e cidadão. Em nossa contemporaneidade, os caminhos que estamos a vislumbrar sobre o aprender e o ensinar contemporâneo, podem apontar para novos modos de ser e estar atuando em Educação, Psicopedagogia e Aprendizagem. Tais caminhos podem gerar novas modalidades de ensino onde o autoritarismo ceda espaço para a solidariedade e para o desenvolvimento de novas habilidades criativas, colaborativas e comunicacionais essenciais ao processo de construção do conhecimento.

Deste modo, nosso maior desafio é promover espaços e tempos nas instituições educacionais para que a aprendizagem seja, de fato, cooperativa, lembrando com Jean Piaget o quanto a cooperação é fundamental fator para o desenvolvimento humano.

Para aprender e ensinar no século XXI é preciso, essencialmente, cooperar, operar junto com, favorecendo o equilíbrio nos intercâmbios presentes na sociedade de nosso tempo e resultando numa aprendizagem que traga à luz internos processos de desenvolvimento que só acontecem quando, enquanto aprendentes, os seres humanos interagem com os outros.

Assim, resta desejar com todos os nossos pensamentos, emoções, sentimentos e ações que as instituições educacionais do século XXI – onde possamos cada vez mais crescer como seres humanos- sejam como a escola sonhada por Paulo Freire e, por tantos de nós, desejada.

Atividade Educacional

 

Título: O uso excessivo do computador

Público: alunos do 5º ano do Ensino Fundamental

Objetivos: levar os alunos a perceber os males que o uso excessivo do computador pode nos trazer, pois muitas vezes não percebemos que passamos a maior parte do tempo na frente de um micro, seja jogando ou batendo papo. Entretendo-nos diante das atrações inesgotáveis da rede, deixamos de lado um mundo cheio de atrativos, nos privando das coisas simples da vida.

Ferramentas Utilizadas: Ferramenta colaborativa de conteúdo (blog)

Metodologia: Aulas práticas no laboratório de informática

Avaliação: A avaliação será constante, através da observação do professor quanto ao interesse e a participação do grupo durante o desenvolvimento das atividades, assim como a organização, distribuição das tarefas, as pesquisas e formatação do trabalho. Individualmente, haverá uma auto- avaliação, além da apresentação do trabalho para os outros alunos da sala.

Desenvolvimento:

A turma deverá se dividir em grupos de no máximo 4 alunos. Os alunos deverão trocar ideias com os colegas sobre o tempo que usam o computador, quais os tipos de atividades desenvolvem, se já sentiram algum desconforto por ficarem tempo demais na frente de um micro e quais os sintomas.

O registro das informações deverá ser feito no blog, criado pela professora, por dia, ou seja, os alunos deverão colocar no blog as atividades que realizam no computador, o tempo que levam em cada uma delas, se durante tais atividades estão sozinhos ou com colegas ou família, se param para realizar outra atividade como praticar esportes, academia, etc.

Esta atividade terá a duração de 1 semana, e após o registro de todas as atividades, os alunos em grupo discutirão se há excesso ou não na utilização do computador e os prejuízos que isso pode trazer.

Conclusão:

Usar um computador está cada vez mais fácil e barato. Antes produto reservado à elite, hoje os aparelhos estão em LAN houses e principalmente em nossas casas. Com isso, muitas pessoas passam a maior parte do tempo em frente a tela, se divertindo com jogos ou conversando com amigos. A maioria são crianças e jovens que precisam ser alertados de que o uso excessivo do computador também representa um perigo. Esse “vício” precisa ser evitado, sob o risco de causar problemas de visão, de coluna e até psicológicos, além de afastá-los cada vez mais do convívio com amigos e familiares.

A capacitação do professor para atuar com a informática educativa

O fato de equipar a escola com computadores não é garantia de que este recurso será utilizado para a melhoria do processo de aprendizagem e de que ele por si só vá resolver os problemas da educação. Vimos, anteriormente, que o professor tem papel fundamental neste processo.

A informática aplicada à educação ainda é um mistério para alguns professores e o nó da questão está na formação docente, pois muitos educadores ainda não sabem o que fazer com os recursos que a informática oferece. E, nesse sentido, a chave do problema é a questão da formação, da preparação dos educadores para saberem como utilizar esta ferramenta como parte das atividades que realizam na escola.

Não basta estar na Lei o direito à capacitação, é necessário que esta prepare o professor para atuar com competência, certo de que vivemos num mundo onde diversos meios podem levar ao raciocínio e ao conhecimento e de que a aprendizagem pode acontecer de várias maneiras, além da tradicional aula expositiva.

Desta forma é preciso capacitar o professor para que os recursos da informática contribuam para esta nova forma de aprendizagem que é consequência da inserção das novas tecnologias no cotidiano e da linguagem imposta pelos meios de comunicação. Hoje ler o escrito não basta. Para ler o mundo é também necessário ler as mensagens tecnológicas e sua interferência nas formas de organização de nossa sociedade e nossa cultura.

Pensar a Escola

Paulo Blikstein, em seu texto ‘As novas tecnologias na educação ambiental’, nos propõe um exercício de imaginação: imaginar “um mundo em que, por alguma razão misteriosa, nunca tenham existido pesquisadores em educação”  e pensar como seriam as escolas. A resposta do autor:

“Muito provavelmente, idênticas às nossas escolas de hoje: alunos em fileiras, professor lá na frente, provas, livros didáticos, crianças divididas por idade, programas de estudo sobrecarregados com conteúdos irrelevantes, “decoreba” e falta de motivação. Esse breve exercício de imaginação sugere que, infelizmente, décadas de pesquisa em educação pouco fizeram para mudar nossas escolas. Sim, há avanços – mas, de um modo geral, verdade seja dita: nossas escolas comportam-se como se Piaget, Vygostky, Freire ou Papert jamais tivessem existido.

Há, entretanto, outra pergunta perturbadora: nesse mundo imaginário sem pesquisadores em educação, o que será que as pessoas pensam sobre o aprendizado humano? O leitor concordará que elas pensariam muito diferentemente de nós. A maioria dos professores e educadores brasileiros concordaria, sem hesitação, que conhecimento se constrói, não se transmite (PIAGET); que a escola precisa fornecer ferramentas de leitura do mundo, e não só da palavra (FREIRE), e que a construção (ou seja, o “fazer”) é um grande instrumento de aprendizado (PAPERT, s.d.). Poucos afirmariam, por exemplo, que o melhor jeito de aprender é colocar um aluno sentado durante cinco horas por dia ouvindo o professor falar e depois aplicar uma prova. Aparentemente, portanto, as idéias dos educadores mudaram o que as pessoas pensam sobre educação, mas não mudaram significativamente a escola. Será que estamos condenados a reproduzir eternamente a estrutura tradicional da escola? Afinal de contas, há esperança?
Sim, há esperança. Sabemos que o primeiro passo para qualquer grande transformação é mudar o que as pessoas pensam e, felizmente, isso está acontecendo com a educação. Muita gente já sabe como deve ser, mas ninguém sabe como transformar essa visão em realidade. E aí entra a tecnologia – ela pode ser uma poderosa arma para transformar em realidade a nossa utopia de uma escola mais democrática, motivadora e interessante. A tecnologia digital, atualmente, tem essa interessante propriedade de ser um “cavalo de Tróia”: ela tem entrada livre na escola e pode levar idéias inovadoras na bagagem.”

Me lembrei muito desse início do texto quando vi no twitter a indicação dessa edição especial Grandes Pensadores da revista Nova Escola .

Quem sabe conhecer, para depois se apronfundar nas idéias desses “pensadores”, pode levar alguém a procurar idéias inovadoras que consigam transformar a realidade?